quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Texto publicado no portal R7 na última terça-feira (24)

Incêndio destrói distribuidora de produtos de limpeza em SP

Corporação enviou 22 viaturas ao local e diz que imóveis vizinhos estão seguros

Murillo Nascimento, da Agência Record , com R7

Uma empresa de produtos de limpeza, de nome Ideal Global, foi atingida por um incêndio na noite desta terça-feira (24) na zona oeste de São Paulo. O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 20h50 e às 22h50 informou que as chamas estavam controladas, ou seja, não tinham chance de afetarem outros imóveis ao redor. É o segundo incêndio na noite desta terça-feira. No final da tarde um outro incêndio destruiu uma fábrica de cera de depilação na zona norte da capital, sem deixar feridos.

A empresa faz distribuição de papel higiênico e produtos plásticos e por consumida rapidamente pelas chamas, informaram os bombeiros. A distribuidora fica na avenida Imperatriz Leopoldina, número 25, na Vila Leopoldina, perto da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) e também da estação de trem Imperatriz Leopoldina, da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). O Corpo de Bombeiros enviou 22 viaturas ao local. Não há informações sobre possíveis vítimas.

Os homens dos bombeiros disseram que há muitas fábricas ao lado, por isso havia grande perigo de o fogo se alastrar. A assessoria de imprensa da CPTM informou que o incêndio não atrapalha a passagem dos trens.

No final da tarde um outro incêndio destruiu uma fábrica de cera de depilação na zona norte da capital, sem deixar feridos.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Matéria publicada no portal R7, na madrugada do último domingo (22)

Camarote desaba e fere 48 em São José dos Campos

Tragédia aconteceu na primeira edição do São José Folia 2009


Giselle Barbieiri e Murillo Nascimento, da Agência Record

Pelo menos 48 pessoas ficaram feridas, por volta das 00h45 deste domingo (22), depois que um camarote do São José Folia 2009, em São José dos Campos, a cerca de 100 quilômetros de São Paulo, desabou.

Segundo a direção do Hospital Municipal Vila Industrial, 38 pessoas foram socorridas e levadas para o Hospital Municipal da Vila Industrial e outras dez foram socorridas para o Hospital Clínicas Sul, no Parque Industrial.

O Corpo de Bombeiros de São José dos Campos enviou sete viaturas ao local. Carros de Bombeiros de Jacarei e Caçapava também foram acionados. A corporação ainda pediu auxilio a empresas privadas que possuem bombeiros civis. A Polícia Militar também está no local.

O evento acontece em um circuito de rua dentro da Universidade do Vale do Paraíba - UniVap - localizada em Urbanova. O acidente teria ocorrido entre os prédios da Hípica UniVap e o da Engenharia.

Segundo o segurança da universidade, mesmo com o acidente, o show não parou. Apesar de ser no interior do campus, a UniVap não é a organizadora dos shows. A micareta está sendo realizada pela MRK Eventos e pela Atrás do Trio Eventos. No momento do acidente, a banda Chiclete com Banana tocava no trio elétrico 1. Antes, banda Ssaba já havia tocado no trio elétrico 2.

Essa é a primeira edição do São José Folia, que começou neste sábado(21) e termina neste domingo(22) de novembro. Os organizadores esperavam atrair cerca de 8000 pessoas em cada dia à cidade, sendo 3000 nos camarotes e 5000 nos blocos. O carnaval fora de época conta com três camarotes: Bar Coronel - MRK, OFD - Oscar Fashion Days e Camarote Vip Itaipava.

A Assessoria de Imprensa do evento confirmou o acidente, mas ainda não tem informações sobre as vítimas. A Assessoria de Imprensa informa porém que a banda Chiclete com Banana concluiu o show e o evento terminou às 02h45, cerca de uma hora antes do previsto.

A assessoria de Imprensa ainda não confirmou se o evento será suspenso neste domingo (22).

domingo, 15 de novembro de 2009

Brasil no escuro



Os noticiários estão abarrotados de informações sobre a grande queda de energia na última terça-feira (10). Dezoito estados do país ficaram no breu a partir das 22h13, por cerca de seis horas. Milhões de pessoas foram para cama se entender o que está acontecendo com a energia. Piscava e voltava, piscava e voltava. Depois, parou de vez. A maior cidade do Brasil parou e o caos começou.

Às 22 horas o dia parecia terminar tranquilo. Faltavam duas horas para deixar à emissora, e finalizar o expediente. Nada acontecia. Nem os homicídios e assaltos normais para uma noite quente em São Paulo.

Às 22h12 estava no telefone com o Corpo de Bombeiros de Osasco. Conversava normalmente procurando uma ocorrência para o repórter da madrugada. Segundos depois, ainda no telefone, tudo fica escuro na TV Record. Os geradores sustentam os computadores e as televisões ligadas, mas a luz acaba. Do outro lado da linha, o soldado relata que lá também estava sem energia. Primeira hipótese, apagão geral na grande São Paulo.

A partir desse momento a adrenalina tomou conta das duas pessoas que estavam na redação. Eu e a chefe de reportagem. Comecei uma peregrinação para descobrir a dimensão da tragédia. A assessoria da Eletropaulo não atendia. Liguei em São José dos Campos, Sorocaba, Campinas, Registro e outras cidades do estado. Todas sem energia elétrica. Confirmado às 22h18: o estado de São Paulo estava no breu.

Nesse momento já estava utilizando três telefones e o nextel. O rádio, por sinal, não parava um segundo. Chefes e mais chefes ligavam para se informar e informar. De longe, minha chefe ajudava. Tentava buscar informações do aconchego do lar. Não aguentou. Ela e alguns outros seguiram até a Barra Funda. Tempos depois, era um corre, corre pela redação. Entraríamos no ar. Nisso, já havíamos confirmado o estado do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Quando o apresentador Eduardo Ribeiro entrou ao vivo, cinco estados já estavam sem luz.

As duas equipes da noite já estavam na rua às 22h14. Por volta da meia noite, dez equipes trabalhavam para noticiar o apagão. Repórteres foram acordados e ‘convidados’ a participar da cobertura. O apresentador Reinaldo Gottino já estava na emissora para a próxima entrada. Seis equipes da TV e mais quatro amadores rodavam a cidade de São Paulo.

A partir desse momento, nossa missão (eu, minha chefe - Giselle Barbieri - e o querido Cassiano Silva) era abastecer as redações com informações de São Paulo. Ligamos e todos os lugares imagináveis. O metrô e a CPTM estavam parados. A Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e a CET sem sistema. A Eletropaulo não sabia o que estava acontecendo. Os hospitais municipais e estaduais operando com ajuda de geradores. (Quantas crianças nasceram nesse momento escuro do Brasil. Acompanhe o depoimento da repórter Ingrid Griebel que deu a luz ao pequeno Guilherme: http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/gravida-conta-como-foi-dar-a-luz-durante-o-apagao-de-ontem-20091111.html).

Às 3h30 era um dos últimos a deixar a TV Record. Mesmo achando que faltou alguma coisa, sai com a sensação de dever cumprido. Agora era esperar os jornais do dia seguinte para analisar como as apurações ajudaram nas reportagens.

Saiba tudo sobre o apagão que parou o Brasil:http://noticias.r7.com/brasil/noticias/apagao-deixa-brasil-no-escuro-por-6-horas-saiba-tudo-sobre-o-blecaute-20091111.html

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A pescaria da vida



Tomo a liberdade - sem nem sequer pedir autorização - de publicar um texto da colega Adriana Freitas. A escrita me deixou emocionado pela primeira vez. Como se, nesse momento, a ficha começasse a cair. Foi para outro patamar dessa vida um colega de redação, que durou os dias e meses que convivemos, sempre dividiu comigo tudo que acontecia na TV. A partir das 21 horas, só eu e ele em uma redação inteira. Desde ontem, ele não existe mais. Foi pescar e buscar aviões em outra dimensão.

Segue abaixo o texto:

Parece uma cena de filme, daquelas que nos levam a parar para pensar na vida 'real' por alguns instantes. O conflito: um personagem que é parte do cenário e, de repente, desaparece. Aí todos começam a se perguntar quem era aquele porteiro por quem passavam todos os dias sem reparar; quem era aquela secretária que dava conta do serviço mas nunca foi lembrada nas oportunidades de promoção; quem era aquela vizinha que varria a calçada todos os dias até o dia em que as folhas a venceram...

Afinal, quem era o Aldahyr Ramos??? Confesso que pra mim era um cara estranho. Nunca soube defini-lo muito bem. Mas também nunca ocupei muito meu tempo tentando. Sei que ele era um cara extremamente formal no jeito de falar e agir, mas que amava Beatles, usava camisetas do Abbey Road e pintava o cabelo, aliás, o que era engraçado. Sei também ele era um caçador de assuntos. Mas não me lembro nunca de tê-lo visto reclamando de trabalhar demais, de trocar de horário, de mudanças de chefia ou de qualquer outro assunto cotidiano. No fundo, mais parecia que ele não pertencia a esse mundo, e todos hão de concordar comigo nisso... E provavelmente ele não pertencia mesmo.

Há duas semanas, depois que terminou o JR, ele me chamou. Disse que sabia que eu gostava de gatos e que queria me mostrar uma coisa. Houve um incêndio em uma pensão no centro de São Paulo. E os bombeiros resgataram três gatinhos intoxicados e meio chamuscados. O motolink enviado pelo Aldahyr flagrou os bombeiros limpando os bichanos e fazendo massagem no peito deles, que começaram a miar assustados depois de perder seis das sete vidas ainda bebês.

O Aldahyr enlouqueceu com a imagem. Visivelmente emocionado, disse que era linda, que valia matéria 'com certeza'. Que tínhamos que começar a dar mais valor para essas histórias de vida. Vimos a fita umas quatro vezes antes de eu ir embora...

Desci as escadas pensando que eu não sabia de fato quem era meu colega de trabalho. Daquele dia em diante, ao contrário de antes, decidi que daria atenção ao 'caçador de assuntos'. Na correria, lamentavelmente, foi muito pouco tempo... Mas descobri um cara inteligentíssimo, extremamente culto e até engraçado. E mais do que isso: um ser h-u-m-a-n-o, na tradução mais fiel do que a expressão pode significar.

Agora, mais do que nunca, sei que ele estava certo... Corremos tanto todos os dias que nem sequer temos tempo de dar atenção ao que há de mais precioso à nossa volta: a vida. Não paramos dois minutos que seja para conhecer as pessoas que passam anos e anos, mais de sete horas por dia, vivendo no mesmo espaço que a gente. Eu nunca soube que o Aldahyr gostava de pescar, nem que tinha irmãs...

Hoje, depois dos três minutos de choque inicial pela notícia da morte de 'um entre nós', a redação voltou à rotina. Muito barulho, tvs altas, rádios, telefones tocando e todos correndo. Provavelmente ninguém teve tempo de lembrar que, às 16h, um funcionário não entrou pela porta e não ocupou o lugar do canto da mesa da chefia de reportagem. Uma voz a menos foi ouvida no fechamento, mas na confusão ninguém deve ter notado.

Fica a reflexão: o que estamos fazendo com nossa vida?

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Nem tudo está perdido



No texto "Um computador sem história" - de 27 de outubro de 2009 - relatei que perdi todos os arquivos armazenados no meu computador! Mas nem tudo está perdido. Mesmo recomeçando a guardar meus textos, descobri que ainda tenho muitos arquivados. O Atrás do Tempo armazenou meus escritos desde 2007 - ano em que estreei o blog. Para comemorar, re-publico o primeiro texto postado aqui, em 29 de abril de 2007, com erros e imperfeições.

A MULTIDÃO ASSUSTA

Muita gente em um determinado lugar assusta!
Milhares e milhares de pessoas reunidas para prestigiar, cantar, curtir um show. Isso nem sempre é bom, principalmente quando o local do evento é um rodeio, onde o alvo do público é arena. Aquele corre e corre, um empurra em empurra, tudo para chegar o mais perto possível do palco. De repente ouve-se: “Perdi meu celular”. Mais correria. “Eu achei... Não é não! É uma latinha amassada”.

Quando todos estão nos seus devidos lugares parece que a partir daquele momento tudo vai se acalmar. Ledo engano, o empurra-empurra começa de novo. “Eu quero passar” ouve-se, e quase ao mesmo tempo uma pessoa responde: “Não cabe mais ninguém”.
Depois de muito sofrer e esperar sobe ao palco à causa de tanto alvoroço, Babado Novo, a atração da noite. O show começa, a multidão pula, canta, grita, e eu, meio apertado no meio de tanta gente encontro um momento pra reflexão. Olho ao redor e quase espontaneamente inicia-se uma reflexão.

8, 9,10 mil pessoas, a quantidade não importa, o que realmente importa é que ali tinha engenheiros, médicos, empresários, autônomos, estudantes, e milhares e milhares de adolescentes-fãs apaixonados por algumas pessoas.
Uns vão para descansar da correria do cotidiano, outros apenas porque gostam de rodeio, tem aqueles que vão por que não tinha nada para fazer em casa, e muitos vão porque amam o Babado e a Claudinha Leite, já esses estão cantando para o seu próprio sustento.

Leitor, a minha intenção não é criticar quem vai porque ama a banda e muito menos criticar a banda, afinal, eles tocam muito bem e trabalharam duro para chegar até a atual fase. A intenção do signatário desse blog é tentar relatar como tudo isso acontece de um ponto de vista diferente. Um ponto de vista capitalista talvez, já que o dinheiro movimenta o mundo, ou um ponto de vista de quem se assustou com a multidão que prestigiar uma banda tocar. Pagar R$20 ou R$10 (estudante) para ficar espremido e correndo o risco de ficar sem celular e sem dinheiro. Correr o risco, ainda, de ser pisoteado em uma das músicas. E uma reflexão ainda mais profunda, com o dinheiro da bilheteria desse show (imaginem!), conseguiríamos matar a fome e a sede de quantas pessoas por esse Brasil a fora. Mas essa é uma reflexão para outro texto.

Para finalizar deixo uma pergunta, espero que os comentários respondam-as. O que leva essa multidão a ficar espremida para ouvir música?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Minha primeira vitória



Estive em Monte Verde, sul de Minas Gerais, no Feriado de Finados. Para quem ainda não sabe: nasci, cresci, me eduquei e virei gente no distrito encravado na Serra da Mantiqueira. Hoje, tenho grandes laços com o vilarejo, afinal, as duas pessoas mais importantes da minha vida estão por lá: meu pai (Sr. Benedito) e minha mãe (Dona Vera). Não vejo lugar melhor para os dois, e quem sabe para minha futura aposentadoria. Mas ainda tenho tempo para amadurecer essa ideia.

Mas quero relatar uma recordação que tive nos dias em Minas. Sábado de sol, céu aberto e azul. Fui convidado para uma reunião. Voltaria ao lugar onde conheci a Comunicação e o Jornalismo. A Rádio Comunitária de Monte Verde foi fundada em 1997, quando eu ainda tinha cerca de oito anos. Meu pai foi um dos fundadores. Foi em frente àquela mesa de som meu primeiro contato com o microfone. Começou em um programa infantil, ao lado de grandes amigos – uns se perderam no mundo. Outros casaram e tem filhos. O principal (meu melhor amigo) morreu em um acidente de trânsito (um dia crio coragem e escreve sobre). Fiquei mais velho, e estreei um programa juvenil. Comecei no Jornalismo. Fiz matéria. Coberturas esportivas. Links. Virei mini celebridade. Ao lado dos locutores, mudamos o ritmo da cidadezinha de cinco mil habitantes. Afastei para me dedicar ao jornal impresso. Mudei de cidade, nunca mais voltei a rádio.

Mas anos depois, lá estava eu. A mesa de som já era outra, os microfones também. Mas pela primeira vez estava ali como convidado. Todos me esperavam. Não sabia que ficaria tão emocionado. Fiquei. Fiz o que tinha que fazer. Participei da reunião, dei meu testemunho. Expliquei o quão importante era aquela veículo. Passei o recado. Fui aplaudido. Mas aquilo não me satisfazia. Pedi licença. Entrei no estúdio. Fechei a porta. Sozinho. O banco de madeira deu lugar a cadeira presidencial. O microfone da feira deu lugar um Shure. A mesa tem vários canais – a antiga tinha cinco. Tem internet. Computador. Nada de milhares de CDs e MDs espalhados pela sala. A memória estava em ebulição, anos passavam e voltavam. Perdi o sentido do tempo. Sentei. Respirei fundo e voltei à reunião. Isso que tanto buscava. Era o meu próprio reconhecimento. Evolui, mas, acima de tudo, ajudei algo a mudar.

No dia seguinte fui acordado por um telefonema. Voltar a rádio. Agora para participar de um programa. Pensei em recusar. (Não porque sou chato, mas acho que é muita coisa para um garoto de 20 anos). Mas aceitei. Horário marcado. Fui pontual. Pessoas me esperavam. Fui direto ao estúdio. Sentei na poltrona de entrevistado. Não era meu lugar. Mas era o lugar onde muitos queriam me ver e ouvir. Queriam saber de tudo. Desde o momento que não falei mais naquele microfone até os dias atuais. Foi uma bela conversa. Ouvi arquivos e pessoas, falei, dei risada, voltei a comentar o Campeonato Brasileiro e até relembrei as transmissões de anos atrás. Felicidade. Sai feliz, muito feliz.

Mas o que o iria marcar de verdade estava por vir. No final da conversa, o telefone da rádio toca. Uma jovem, 15 anos. Ao vivo, pede para falar comigo. Imaginei uma pergunta. Um agradecimento. Agradeceu por ter feito as tardes de sábado dela mais produtivas (ao lado do amigo Tony, comandávamos o Disk 107). Fiquei sem reação. E mais: “quero seguir seu caminho”, disse. Segurei para não chorar. Foi minha maior vitória.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Um computador sem história



O dia parecia prosseguir como todos os outros. O relógio despertou às 6h30. Cerca de dois quilômetros de caminhada até a faculdade. Aula terminou às 11h10. Mais dois quilômetros de volta. Em casa, a bolsa ficou em cima do sofá e fui direto ao quarto buscar o computador. Tudo normal.

Mas uma surpresa me aguardava. O meu querido computador não ligou. Chegava até na metade do processo, e reiniciava. Nada fazia o bendito funcionar normalmente. Fiz tudo o que saiba (quase nada). Mas tentei. Deixei-o quieto por um tempo, como se fosse respirar, e depois voltar a funcionar, mas nada. Não ligava mesmo.

Fui trabalhar. De lá, pedi a um companheiro de residência. Um dos que dividem comigo o apartamento 13. Ele entende dessas tecnologias. Depois de uma breve análise, o diagnóstico: “precisa formatar o computador”. Ou seja, para que esse aparelho de onde vos escrevo hoje voltasse a funcionar, eu precisaria perder tudo que continha nele. Pensei por um tempo. Foto, muitas fotos! Textos, muitos textos (desde o primeiro com 15 anos, até o último, publicado no blog)! Músicas, muitas músicas! A vida praticamente documentada ali. Muita história para contar. Mas não tive outra escolha.

Liguei em casa e dei o veredito, “Gringo, formata. Mas vai logo, antes que eu mude de ideia”. Ele não pensou duas vezes: apertou o botão. A partir daquele momento meu computador estava limpo. Sem nada. Como se tivesse sido fabricado naquele dia.

Até o momento de ligar, acreditava que tudo poderia ter sido uma brincadeira. “Tudo vai estar aqui como deixei na última vez”, pensava. Ledo engano. Estava realmente limpo, sem nada, nadinha. Um computador sem história.

Ele era, agora, um livro de páginas em branco, pronto para recomeçar uma nova história. Refazer a vida. Começo por esse texto. Será o primeiro arquivo em Word a ser armazenado. O primeiro de muitos.